Setembro chega ao Douro com a vindima. Em quintas com vinhas plantadas em socalcos de inclinação superior a 30%, a colheita mecanizada é simplesmente impossível. As uvas são cortadas à mão, transportadas em pequenos cestos e levadas em pequenas pilhas até ao lagar.
Uma economia regional inteira
Estima-se que entre 25 e 35 mil pessoas se desloquem todos os anos ao Douro para participar na vindima, muitas vindas de Trás-os-Montes, Espanha e mais recentemente do Leste europeu. Trabalham em jornadas longas — frequentemente das 7 da manhã às 5 da tarde — e dormem em alojamentos colectivos nas próprias quintas.
À noite, a festa: arraial, comida farta, cantigas e bailes que se prolongam pela madrugada. É uma tradição cultural que merecia reconhecimento patrimonial.
A pisa a pé
Em algumas quintas — Quinta do Noval, Quinta do Vesúvio, Quinta do Vale Meão — mantém-se a pisa tradicional em lagares de granito. Os pisadores entram descalços e formam um corte (linha) que avança ritmadamente ao som de cantigas. Os enólogos defendem que este método extrai cor e taninos de forma mais delicada do que qualquer máquina moderna.