Durante décadas, o mercado português dividiu-se em dois extremos: vinhos premium acima dos 15 euros para a exportação e ocasiões especiais; vinhos a 2-3 euros para o dia-a-dia, frequentemente sem identidade nem qualidade. O segmento intermédio, entre 5 e 10 euros, foi marginalizado.
A mudança
Nos últimos cinco anos, várias adegas cooperativas e marcas de produtor lançaram gamas de qualidade nesta faixa de preço. Casas como Adega de Borba, Adega de Portalegre, Casa Santos Lima, Caves Aliança e a Sogrape (com gamas como Mateus Selection e Pena de Pato) democratizaram o acesso a vinhos correctos e identitários.
O Alentejo lidera este movimento — com cerca de 40% do mercado interno em volume e crescimento sustentado das exportações de gama média. O Tejo, Lisboa, Setúbal e Beiras seguem a tendência.
O efeito Pandémico
Os anos da pandemia (2020-2022) aceleraram o consumo doméstico de vinho. Pela primeira vez em décadas, o consumo per capita em Portugal voltou a subir, e os consumidores mostraram disponibilidade para gastar mais nos vinhos que bebem em casa. Tendência que persiste em 2026.