Portugal cultiva oficialmente mais de 250 castas autóctones reconhecidas, das quais cerca de 80% são consideradas únicas no mundo. É uma diversidade extraordinária para um país com menos de 200 mil hectares de vinha.
Esta riqueza tem origem no isolamento geográfico relativo da Península Ibérica e na resistência histórica dos produtores em substituir castas tradicionais por variedades internacionais — Cabernet, Merlot ou Chardonnay são raras em vinhas portuguesas.
Os tesouros menos conhecidos
Para além das estrelas (Touriga Nacional, Alvarinho, Encruzado, Baga), há centenas de castas em risco de extinção. Bastardo, Tinta Francisca, Donzelinho, Sercial, Rabigato, Trincadeira das Pratas, Síria, Antão Vaz, Castelão, Aragonez, Loureiro, Trajadura, Avesso — a lista é interminável.
A PORVID (Associação Portuguesa para a Diversidade da Videira) mantém colecções vivas com mais de 600 acessos diferentes, em campos experimentais no Dão e Douro. O trabalho de selecção massal e clonal é fundamental para preservar este património genético — verdadeiro tesouro nacional pouco reconhecido.