Pode parecer estranho hoje, mas até meados do século XX a maior parte do Vinho Verde produzido era tinto. Castas como a Vinhão (também conhecida como Sousão), Borraçal e Espadeiro dominavam as ramadas tradicionais — vinhas plantadas em altura, conduzidas em latadas ou ao longo de árvores.
Por que desapareceu?
O Vinho Verde tinto é um vinho atípico: cor muito escura (quase tinta de China), acidez extrema, sabor ligeiramente metálico e ligeira gaseificação natural. É um vinho de mesa do dia-a-dia, perfeito com sardinhas grelhadas, bacalhau ou polvo à lagareiro — mas distante do paladar internacional.
Quando o mercado global descobriu o Vinho Verde branco nos anos 80 e 90, os produtores reorientaram a produção. Hoje, o tinto representa apenas 5-10% do volume total da região.
O regresso (tímido)
Nos últimos anos, alguns produtores artesanais começaram a recuperar a tradição. Aphros (Vasco Croft), Quinta de Covela, Quinta de Sanguinhedo e algumas adegas cooperativas mantêm vinificações sérias de Vinhão monocasta — e até começam a aparecer em listas de restaurantes de Lisboa e Porto.