Colares, no concelho de Sintra, é uma das mais pequenas e curiosas regiões vitivinícolas de Portugal. As vinhas crescem em solos arenosos, junto ao Atlântico, com as raízes a atingir a camada de argila — chamada chão — três a sete metros abaixo da superfície.
As únicas vinhas que escaparam à filoxera
Esta peculiaridade salvou as cepas da praga da filoxera no século XIX: o insecto não sobrevive em solos arenosos. As vinhas de Colares são, por isso, das poucas no mundo a serem pé-franco — não enxertadas em porta-enxerto americano — e algumas cepas têm mais de 150 anos.
As castas tradicionais são a Ramisco (tinto) e a Malvasia de Colares (branco). Os tintos jovens são austeros, com taninos firmes e elevada acidez; após dez ou vinte anos em garrafa transformam-se em vinhos elegantes, com notas terrosas, balsâmicas e florais.
A pressão imobiliária quase fez desaparecer a região nas últimas décadas. A Adega Regional de Colares, ViNicolares e a Casal Sta. Maria são alguns dos produtores que mantêm viva esta tradição centenária.